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11 jun 21

Bipolaridade: causa e consequências

 

“Imagine uma pilha comum, destas que costumamos comprar para colocar no controle remoto da nossa televisão. Uma das características da pilha comum é que ela possui dois polos, sendo um deles positivo e o outro, negativo. Por mais insólito que pareça, dentro da medicina, mais especificamente na psiquiatria, encontramos um transtorno que também é caracterizado por ter dois polos; não surpreendentemente, este transtorno é chamado de transtorno bipolar!”. As colocações são do médico formado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), pós-graduado em psiquiatria e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que atende  no Censit, Jorge Schlichting Neto.

Em entrevista o médico explica que o transtorno bipolar é justamente caracterizado por polos que também podem ser chamados de positivo e negativo. “O polo negativo pode ser entendido como a depressão, manifestação psicopatológica onde há predomínio de sintomas, obviamente, depressivos como humor constantemente deprimido, anedonia (perda de prazer nas atividades que outrora eram prazerosas), prejuízo de sono (normalmente insônia), concentração, memória, energia e até do apetite, além de outros. Pode estar presente no transtorno bipolar, mas não exclusivamente neste (existe, por exemplo, a depressão unipolar, a qual normalmente nos referimos quando falamos genericamente em “depressão”)”.

Em contrapartida, observa o profissional, o polo positivo da doença encontra manifestações diametralmente opostas: energia excessiva, associada com uma elevação persistente do humor, por vezes com uma irritabilidade duradoura, além de alterações do sono (pouca necessidade de sono), distração frequente (e prejudicial), sensação de grandiosidade (sentir-se realmente poderoso, inatingível), necessidade intensa de falar, pensamentos bastante acelerados, além de outras queixas possíveis.

O psiquiatra explica que: “seria como se pegássemos a pilha que serviu de exemplo no início do texto e a deixássemos recebendo uma sobrecarga o tempo todo (“ligada no 220”). Este pacote de sintomas é chamado de mania (ou de hipomania, quando o prejuízo causado não é tão intenso) e é justamente isto que define o transtorno bipolar: se houve um episódio de mania/hipomania, o paciente sempre vai ser bipolar; se houve um episódio de depressão, o paciente pode ser bipolar ou não, já que os sintomas depressivos que ocorrem no polo negativo do transtorno bipolar são basicamente os mesmos (ou muito próximos) daqueles que ocorrem na depressão unipolar (a depressão “comum”)”.

Vale lembrar também, ressalta o profissional, que o transtorno bipolar não costuma andar desacompanhado: vários outros transtornos psiquiátricos, como ansiedade, uso de substância, personalidade (apenas para citar alguns) podem também ocorrer em conjunto, tornando o diagnóstico e o tratamento mais difíceis.

O médico afirma que: “apesar de ser um transtorno crônico (isto é, sem uma cura definitiva), o transtorno bipolar é passível de tratamento e, quanto mais cedo este for instituído, normalmente melhores serão as perspectivas a longo prazo. Há inúmeros medicamentos que podem ser empregados no tratamento deste transtorno, cabendo esta decisão ao profissional médico e também ao paciente, uma vez que riscos e benefícios devem ser pesados por ambos”.

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