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Câncer de pulmão
“A pandemia da Covid-19 trouxe um órgão ao centro do palco no ano de 2020, o pulmão. Não somente pelo fato de ser o órgão mais prejudicado pela infecção pelo Coronavírus, mas também pelo fato de condições preexistentes agravarem ainda mais o curso da doença como um todo”. As colocações são do cirurgião torácico, doutor Rodrigo Bettega de Araújo (CRM/SC: 28.018 RQE: 18.811), que também atua no diagnóstico e tratamento dos pacientes portadores de cânceres da região torácica com destaque para o câncer de pulmão, timoma, metástases pulmonares, entre outros.

Araújo, que atende no Censit, relata que “muitos pacientes com suspeita de infecção pelo novo Coronavírus realizaram exames de raio x e tomografia de tórax para descobrir se estavam infectados e o grau do acometimento pulmonar. Alguns tiveram a feliz notícia de descobrirem que seus pulmões se encontravam saudáveis, outros descobriram sinais da Covid-19 e um terceiro grupo descobriu doenças pulmonares que não sabiam possuir: enfisema pulmonar, bolhas pulmonares, nódulos e massas pulmonares”.
Araújo observa que um trabalho na Holanda mostrou que quase um quarto dos pacientes que fizeram tomografia de tórax por suspeita ou rastreio de Covid-19 descobriram alterações pulmonares e alteração na mama suspeitas para neoplasia.
Segundo o profissional “o câncer de pulmão é a neoplasia com maior letalidade na atualidade e as melhores chances de cura estão nos casos diagnosticados em estágios iniciais, quando as alterações são pequenas e se localizam somente no pulmão, os chamados nódulos pulmonares. O câncer de pulmão é fortemente associado ao tabagismo, sendo maior o risco quando se fuma mais cigarros por dia e por mais anos consecutivos. Aos pacientes que receberam o diagnóstico de nódulos ou quaisquer outras alterações em uma tomografia de tórax, a recomendação é procurar avaliação especializada com o cirurgião torácico e/ou pneumologista para esclarecer o que significa a alteração e se há necessidade de maiores investigações. Através de biópsias o cirurgião consegue confirmar se a alteração é maligna e pode propor o tratamento definitivo mais adequado que pode ir desde cirurgia até a associação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. As biópsias e cirurgias são realizadas pelo médico cirurgião torácico e hoje em dia, com a tecnologia disponível, podem ser feitas por vídeo e até por cirurgia robótica”.
De acordo com Araújo “não há relação com a Covid-19 e a evolução das lesões pulmonares para câncer, porém após casos graves da doença o pulmão pode ficar com sequelas e por isso a importância do paciente manter o acompanhamento especializado após a alta hospitalar. Muitos serviços no Brasil e no exterior realizam novas tomografias nos pacientes mais graves após seis a 12 semanas da infecção para avaliar a presença de sequelas e necessidade de tratamentos ou investigação adicional”.
Atualmente, destaca o profissional “muitas sociedades de especialidades já recomendam o chamado rastreio do câncer de pulmão para pacientes que têm mais risco de desenvolver a neoplasia. O público-alvo são homens e mulheres entre 50 e 80 anos que possuem alta carga tabágica, ou seja, que fumaram muitos cigarros e por bastante tempo. A carga tabágica é calculada baseada em quantos maços de cigarro o paciente fuma por dia e por quanto tempo; por exemplo, um indivíduo que fuma um maço por dia há 20 anos tem a caga tabágica de 20 maços ano, se esse paciente está na faixa etária entre 50 e 80 anos, ele tem indicação do rastreio de câncer com a tomografia de tórax de baixa dose de radiação”.
O médico ressalta ainda que “apesar de o rastreio ser uma ferramenta útil na detecção precoce, não podemos deixar de enfatizar a importância de cessar o tabagismo. Parando de fumar, não somente a função pulmonar é preservada, como o paciente tem chance de recuperá-la quanto mais tempo ficar longe do cigarro. Além disso, o cigarro é associado a várias outras doenças cardiovasculares e cânceres como o de bexiga, laringe, entre outros, logo, os benefícios para saúde são muitos”.

