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Mulheres e pandemia
“Nesse momento atípico e caótico que estamos sendo forçados a enfrentar, as pessoas de modo geral tendem a ficar mais suscetíveis a mudanças físicas, cognitivas, comportamentais e emocionais, o que é possível trazer impacto direto na saúde mental de modo geral”. As colocações são da psicóloga com especialização em Teoria Cognitivo Comportamental, que atende no Censit, Joice Daniela Tambosi.
Segundo a profissional “a pandemia impactou a saúde mental e aspectos comportamentais, mostrando que muitas pessoas apresentaram sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Foi realizada uma pesquisa pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e os resultados mostraram que as mais afetadas emocionalmente foram as mulheres, respondendo por 40,5% de sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse”, observa Joice.
De acordo com a especialista “a ideia da tripla jornada feminina é substituída pela ideia de que as mulheres vivem em uma jornada de trabalho contínua, em que o trabalho do cuidado, o trabalho remunerado e as tarefas de casa são permeados pela carga mental de conseguir gerir tudo isso, considerando um trabalho que só cessa quando dorme. Além de preocupação relacionada ao vírus, como necessidade de mudanças de hábitos de higiene, redução de convívio social, familiares adoecidos. Todas essas circunstâncias geram estresse e podem ser gatilhos e catalisadores para doenças mentais”.
A profissional destaca que “a pandemia e o isolamento social mudaram as dinâmicas nos lares, as mulheres estão ainda mais sobrecarregadas pelo trabalho doméstico e o cuidado com crianças, idosos e doentes, considerando que não podem contar mais com a rede de apoio, como parentes, creches, escolas e vizinhos”.
Com tanta coisa em mente, ressalta Joice, “está ainda mais difícil de conquistar o tempo e a atenção das mulheres, principalmente das casadas e com filhos. Mas em contrapartida, as que moram sozinhas também acabam sofrendo. O que acaba deixando-as mais vulneráveis com relação à falta de perspectivas e incertezas quanto ao futuro, o que acaba causando mais sensações de desconforto, angústia, ansiedade e desamparo”.
A profissional afirma que “cuidar da sua saúde mental nunca foi tão importante. Peça ajuda quando sentir necessidade, colaboração e empatia são palavras de ordem”.
“Lembre-se que todos nós estamos vivendo a mesma situação e que todos estamos enfrentando uma batalha interna, sejamos gentis uns com os outros. Assim, seremos mais fortes. Tenha calma. Comece. Um passo de cada vez. Separe horas do seu dia para cuidar de você”.
