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Doenças neurológicas e a vacinação
“Você já se perguntou se haveria mesmo a necessidade de vacinar seu familiar acamado por acidente vascular cerebral (AVC)? Ou se seu filho portador de epilepsia não teria a sua doença descompensada pela aplicação da vacina contra Covid-19? Doenças neurológicas, no geral, são condições debilitantes que fragilizam o paciente. E, muitas vezes podem gerar dúvidas sobre a aplicação da vacina nesses pacientes”. As colocações são da médica neurologista que atende no Censit, Taimara Zimath (CRM 21497 – RQE 18708).
Segundo a profissional, com o grande número de informações que chegam até você nos dias de hoje, via internet, mídias sociais e WhatsApp é normal haver uma certa confusão e até mesmo dúvida sobre saber exatamente o que é o melhor a ser feito. “Acontece que circulam, nessas redes, muitas informações falsas ou parciais sobre o funcionamento da vacina. E, é por isso que a conversa de hoje será sobre quais os casos e as condições neurológicas necessárias para a vacina contra Covid-19 ser realizada, baseado nos conhecimentos atuais, seus possíveis riscos e potenciais complicações da vacina contra o SARS-CoV-2 em pessoas portadoras de doenças neurológicas”.
De acordo com a neurologista, desde o início da pandemia, a comunidade científica neurológica preocupa-se com os possíveis efeitos da infecção no sistema nervoso. Ao longo destes 15 meses de pandemia, diversas manifestações neurológicas já foram associadas ao SARS-CoV-2. “Não há qualquer indício, no presente momento, de que doenças neurológicas sejam contraindicação para a utilização das vacinas atualmente disponibilizadas. Também, não há qualquer normativa por parte das autoridades com relação à priorização de pacientes neurológicos na fila de vacinação, devendo-se aguardar sua vacinação segundo a faixa etária de cada paciente”.
Taimara observa que existem possíveis efeitos colaterais associados às vacinas aprovadas como por exemplo febre baixa, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, vermelhidão no local de aplicação da vacina e dor local. Deve-se lembrar que esses são os possíveis efeitos colaterais, porém, a grande maioria das pessoas não desenvolve nenhum desses sintomas ou os apresenta de forma branda e autolimitada. “A febre que pode ocorrer depois da vacinação pode, em alguns casos, facilitar o aparecimento de crises epilépticas nos pacientes que possuem esse diagnóstico, motivo pelo qual é recomendado o uso de antitérmico caso haja aparecimento de febre ou uma segunda opção seria o uso regular de antitérmicos durante as 48 horas após a vacinação”.
CUIDADOS
A profissional informa que “os tipos de vacina atualmente disponíveis não possuem chance de replicação de vírus, já que são compostas por partículas virais e não o vírus por inteiro (CoronaVac e AstraZeneca). Por esse motivo essas vacinas são consideradas seguras para uso em pacientes imunossuprimidos, não sendo necessário a suspensão ou modificação do tratamento desses pacientes”.
Para Taimara “não se sabe se o tratamento imunossupressão poderia reduzir a eficácia da vacina, portanto, após a vacinação, os cuidados de uso de máscara e distanciamento social devem ser mantidos. Não é indicado o uso de vacinas à base de vírus vivo atenuado, caso elas venham a ser aprovadas no futuro por alguma agência reguladora para pacientes neurológicos em tratamento imunossupressor”.
